Mordaço minhas mãos a boca
para murmúrios calarem-se nela.
Multiplico a agonia
e o meu corpo é todo urtiga.
Dos olhos vazam rios
e a cama é toda um roto mar.
DE um lado para outro frito-me
no leito. E as sombras me tomam posse.
Retorce, retorce dentro da carne
um grito mudo. E o breu noturno
é um distender soturno de mim.
Eu, alucinógeno, me bebo
junto as vozes e mãos que me tocam.
E a esperança perece ao me negar abrigo.
Mas eis que me lembro do Eterno.
E como num escorrer dos fluidos
de parição,da cama, caio-me prostrado.
Dou-me à Luz e de olhos fechados
O enxergo. Com afago alvejante
Ele enxuga minha face, põe de pé
meu coração, estende o manto da justiça
sobre minhas costas e com apenas
uma palavra esmaga as trevas da sofreguidão.
Peço-lhe perdão, e antes que o pedisse
já havia me perdoado, pois chorou
minhas dores no calvário.
Amou-me com sangue e com sangue me lavou.
E Abraçou-me dizendo: Filho meu,
não chores mais!
A tua fé nos religou!